PMC expõe vidas a risco ao adotar fluxo inadequado em atendimento domiciliar de Covid

 Auxiliares de enfermagem da Prefeitura Municipal de Curitiba (PMC) têm sido enviados para visitas domiciliares a pacientes com Covid-19 sem proteção adequada. Denúncias dizem que eles são mandados às casas dos doentes sem supervisão e sem equipamentos de proteção individual (EPIs) suficientes para fazerem a troca entre um atendimento e outro. Em alguns casos, também não recebem itens indispensáveis.

O Sindicato dos Servidores Municipais de Enfermagem de Curitiba (Sismec) alerta que a situação é gravíssima. “A prefeitura está transformando esses profissionais em vetores da doença. Está expondo a equipe, os pacientes e as famílias de ambos ao contato com um vírus que todos sabemos que pode ser fatal”, afirma a presidente da entidade, Raquel Padilha.

“Nós não estamos usando este avental porque segundo a chefia não precisa”, diz um dos relatos. “Esse avental é meu. Particular. Não é da unidade. Estou usando pra proteger ao menos minhas vestes e quando chego em casa tenho que limpar o carro, tenho minha mãe idosa e um irmão acamado que moram comigo”, conta outro. Já um terceiro diz “O mesmo avental… troco as luvas… e limpo com álcool o oxímetro”.

Segundo as informações recebidas pelo sindicato, a Secretaria de Saúde de Curitiba ainda determinou que esses funcionários façam as vistas sozinhos, sem supervisão de um enfermeiro, contrariando o que manda a lei. No entendimento do Sismec, se for necessário continuar assim e o conselho da categoria resolver permitir, é preciso, no mínimo, de uma norma técnica ou um procedimento operacional padrão que os trabalhadores possam seguir com segurança – o que não existe.

A diretoria da instituição representativa dos trabalhadores já debateu o assunto com o Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR) e inclusive encaminhou uma sugestão de normatização.

Agora, por que será que eles não se recusam a ir nessas condições? Os servidores que fizeram as denúncias dizem que se sentem obrigados a obedecer às ordens para não sofrer represália da chefia e até dos próprios companheiros de função. “Caso eu não for, será mandado outra que irá… se a outra não for, alguém irá e nós rotuladas, (…) taxadas como quem não quer trabalhar, vista pelos próprios colegas como encrenqueira. (…) Eu pretendo ter ao menos paz para trabalhar e preservar minha sanidade e também minha família”, desabafa uma profissional.

Imagem: Antonios Ntoumas por Pixabay